A função primeiro. A arquitetura, sempre
Num projeto industrial, a forma tem necessariamente de seguir a função. Uma fábrica ou unidade produtiva é concebida, antes de tudo, para cumprir um propósito operacional concreto. Não há espaço para comprometer a produtividade, os fluxos ou a eficiência em nome de um gesto puramente estético, sobretudo quando uma decisão de projeto pode traduzir-se em perdas relevantes na produção ou no desempenho global da operação.
Por esse motivo, a arquitetura industrial exige uma abordagem profundamente técnica, estruturada e orientada pelos requisitos do cliente. Ainda assim, funcionalidade não é sinónimo de ausência de arquitetura. Pelo contrário: cabe ao arquiteto integrar edifícios de grande escala e elevado impacto, encontrar a implantação mais adequada, qualificar a sua relação com o território e criar uma identidade arquitetónica capaz de valorizar o ativo, a empresa e as pessoas que nele trabalham.
Um edifício industrial é um sistema, não uma soma de partes
A boa arquitetura industrial é aquela em que tudo parece coerente. O edifício é, ao mesmo tempo, funcional, eficiente e apelativo. À primeira vista, pode parecer que a função se adaptou à forma, quando, na realidade, foi a forma que nasceu de uma compreensão profunda da função e dos objetivos operacionais.
Para que isso aconteça, a arquitetura, o processo produtivo e as diferentes engenharias não podem ser desenvolvidos de forma isolada. Estruturas, instalações técnicas, fluxos logísticos, operação, manutenção, sustentabilidade, segurança e custos devem ser pensados e coordenados desde as primeiras decisões, para que o edifício funcione como um sistema integrado e não como a soma de várias soluções independentes.
Na A400, este processo é suportado pela metodologia BIM e orientado para os objetivos concretos de cada cliente. Sabemos que um edifício industrial é também uma operação financeira, associada a um investimento, a uma estratégia, a um prazo e a um resultado que tem de ser atingido.
Optimization Loop: o método A400 para arquitetura industrial
É neste contexto que aplicamos o nosso Optimization Loop, um processo que começa pelo mapeamento dos requisitos operacionais, técnicos e financeiros do projeto, traduzindo-os depois numa estratégia clara e construída de forma colaborativa com o cliente.
A partir dessa base, inicia-se um ciclo contínuo de desenvolvimento, análise e validação:
1. Estratégia
Mapeamento dos requisitos operacionais, técnicos e financeiros e definição das bases do projeto em conjunto com o cliente.
2. Design Integrado
Desenvolvimento da arquitetura em articulação com o processo produtivo e as engenharias, desde a primeira decisão.
3. Coordenação Técnica
Alinhamento entre disciplinas e resolução de interfaces, com forte apoio de BIM e coordenação de projeto.
4. Otimização da Solução
Teste de alternativas, avaliação de impactos e escolha da configuração que melhor serve os objetivos.
5. Otimização de Custos
Análise contínua do investimento e concentração dos recursos onde produzem maior valor operacional.
6. Preparação para Construção
Consolidação do projeto para execução, com informação clara, coerente e construtível.
Um processo contínuo de otimização
Cada fase é analisada, discutida e revista, permitindo que o projeto avance, recue e seja ajustado sempre que necessário.
Não seguimos uma lógica linear em que as decisões são apenas acumuladas: testamos soluções, avaliamos impactos, coordenamos especialidades e voltamos a validar até alcançar o melhor equilíbrio possível entre produção, funcionalidade, investimento, prazo, manutenção, sustentabilidade e qualidade arquitetónica.